O setor elétrico reúne engenharia, regulação, comercialização, finanças e operação de ativos. Por isso, uma mesma conversa pode envolver unidades de potência, regras da CCEE, indicadores de usinas solares e eólicas, contratos de energia e métricas financeiras.
Este glossário explica, em linguagem direta, os principais termos usados no mercado brasileiro de geração de energia. As definições regulatórias foram revisadas em 17 de setembro de 2026 e devem ser consultadas novamente sempre que houver mudança legal ou normativa.
Instituições e organização do setor elétrico
ANEEL — Agência Nacional de Energia Elétrica
Autarquia federal responsável por regular e fiscalizar a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização de energia elétrica. Também estabelece tarifas reguladas e promove atividades de outorga de concessões, permissões e autorizações, por delegação do poder concedente.
MME — Ministério de Minas e Energia
Órgão do governo federal responsável pela formulação de políticas públicas para os setores de energia e mineração. No setor elétrico, define diretrizes para expansão, segurança do suprimento, abertura de mercado e realização de leilões.
CCEE — Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
Entidade responsável pela contabilização e pela liquidação financeira das operações no mercado de energia elétrica. A CCEE registra contratos, processa dados de medição, calcula posições de agentes e divulga o Preço de Liquidação das Diferenças, o PLD.
ONS — Operador Nacional do Sistema Elétrico
Entidade responsável pela coordenação e pelo controle da operação das instalações de geração e transmissão integrantes do Sistema Interligado Nacional. O ONS também planeja e programa a operação eletroenergética e coordena a operação em tempo real.
EPE — Empresa de Pesquisa Energética
Empresa pública que desenvolve estudos e pesquisas para subsidiar o planejamento energético brasileiro. Seus trabalhos abrangem expansão da geração e da transmissão, demanda de energia, recursos energéticos, eficiência e transição energética.
CNPE — Conselho Nacional de Política Energética
Órgão de assessoramento da Presidência da República que propõe políticas e diretrizes nacionais para o aproveitamento dos recursos energéticos.
CMSE — Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico
Comitê coordenado pelo MME que acompanha a continuidade e a segurança do suprimento de energia elétrica no país e propõe medidas preventivas ou corretivas quando identifica riscos.
Órgão ambiental licenciador
Instituição responsável por conduzir o licenciamento ambiental de um empreendimento. A competência pode ser federal, estadual ou municipal. O Ibama executa o licenciamento de competência da União; nos demais casos, o processo cabe ao órgão ambiental competente do estado ou do município.
Ambientes de contratação e comercialização
ACL — Ambiente de Contratação Livre
Ambiente em que consumidores habilitados negociam energia com geradores ou comercializadores. Preço, prazo, volume, fonte, flexibilidade e outras condições são definidos contratualmente. Em setembro de 2026, todos os consumidores do Grupo A podem optar pelo ACL; consumidores com carga individual inferior a 500 kW participam por meio de representação varejista.
ACR — Ambiente de Contratação Regulada
Ambiente em que distribuidoras compram energia para atender consumidores cativos. A contratação ocorre principalmente por leilões regulados, e o consumidor paga tarifas homologadas pela ANEEL.
Grupo A
Conjunto de unidades consumidoras atendidas em média ou alta tensão, em geral com tensão de fornecimento igual ou superior a 2,3 kV. Todos os consumidores do Grupo A podem optar pela migração ao mercado livre, observadas as regras aplicáveis.
Grupo B
Conjunto de unidades consumidoras atendidas em baixa tensão. Conforme o cronograma vigente em setembro de 2026, a abertura do mercado está prevista para novembro de 2027 para consumidores industriais e comerciais de baixa tensão e para novembro de 2028 para os demais consumidores, incluindo residenciais.
Consumidor livre
Consumidor que exerce o direito de escolher seu fornecedor de energia e negociar condições comerciais no ACL. O uso da rede continua sendo prestado pela distribuidora ou transmissora responsável pela conexão.
Comercializador de energia
Agente que compra e vende energia elétrica, estrutura produtos, administra contratos e pode apoiar a gestão de riscos de geradores e consumidores.
Comercializador varejista
Agente que representa consumidores e geradores varejistas perante a CCEE. Essa representação simplifica obrigações operacionais, regulatórias e financeiras para participantes de menor porte.
Agente de geração
Empresa autorizada, registrada ou concessionária responsável por produzir energia elétrica e cumprir as obrigações técnicas, comerciais e regulatórias associadas aos seus empreendimentos.
PPA — Power Purchase Agreement
Contrato de compra e venda de energia de médio ou longo prazo. Pode estabelecer preço fixo ou indexado, volume, prazo, fonte, flexibilidade, garantias, perfil de entrega, responsabilidades e tratamento de diferenças.
CCVE — Contrato de Compra e Venda de Energia
Denominação usada para contratos bilaterais celebrados no ACL e registrados na CCEE. Nem todo PPA internacionalmente chamado dessa forma terá exatamente a mesma estrutura regulatória de um CCVE brasileiro.
CCEAR — Contrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado
Contrato resultante de leilões do ACR. Pode ser estruturado por quantidade ou por disponibilidade, conforme o produto e as regras do respectivo leilão.
Leilão de energia
Processo competitivo para contratação de energia ou potência. Nos leilões do ACR, a ANEEL atua conforme diretrizes do MME e conta com apoio da CCEE. Produtos, fontes, prazos e duração contratual variam de acordo com cada edital.
Registro de contratos
Processo de informar à CCEE os montantes e as condições necessárias para contabilizar contratos de compra e venda de energia. O registro comercial não substitui o contrato jurídico celebrado entre as partes.
Sazonalização
Distribuição de um montante anual de energia entre os meses do ano. A sazonalização permite adequar o perfil contratual à geração, ao consumo ou à estratégia comercial do agente.
Modulação
Distribuição do volume mensal contratado entre os períodos de comercialização. Ela define o perfil intramensal usado na contabilização das posições de energia.
PLD — Preço de Liquidação das Diferenças
Preço utilizado para valorar energia no Mercado de Curto Prazo. É apurado para cada período de comercialização e submercado, dentro dos limites regulatórios vigentes.
MCP — Mercado de Curto Prazo
Ambiente de contabilização em que diferenças entre posições contratadas e medidas, após os ajustes previstos nas regras de comercialização, são valoradas ao PLD. O MCP não deve ser confundido com uma bolsa convencional de negociação em tempo real.
Contabilização
Processo pelo qual a CCEE reúne contratos, dados de medição e regras aplicáveis para calcular a posição energética e financeira de cada agente.
Liquidação financeira
Etapa em que os débitos e créditos resultantes da contabilização são processados financeiramente segundo o calendário e os procedimentos da CCEE.
Exposição ao mercado de curto prazo
Posição decorrente de diferenças entre energia contratada e energia contabilizada. A exposição pode gerar crédito ou débito e seu efeito depende do PLD, do submercado, do perfil temporal e das regras aplicáveis.
Risco merchant
Risco associado à venda de energia sem preço previamente contratado, deixando a receita exposta aos preços de mercado. Também pode representar a exposição residual de um projeto após o término ou fora do volume de seus contratos.
Garantia física
Quantidade de energia associada a um empreendimento para fins de comercialização e adequação de lastro, calculada segundo metodologia do poder concedente. Não corresponde necessariamente à geração que a usina produzirá em cada período.
Lastro
Comprovação de que as obrigações de venda ou consumo estão respaldadas conforme as regras de comercialização. Pode envolver garantia física, geração ou contratos de compra, dependendo da posição e do tipo de agente.
Autoprodução de energia
Modelo em que uma pessoa física ou jurídica produz energia para consumo próprio. A estrutura pode envolver geração no mesmo local da carga, ativos remotos ou participação societária em uma sociedade de propósito específico.
PROINFA
Programa federal instituído em 2002 para ampliar a participação de pequenas centrais hidrelétricas, usinas eólicas e biomassa no SIN. Os contratos originais foram celebrados por 20 anos e sua gestão comercial passou a envolver a ENBPar.
Sistema elétrico, rede e conexão
SIN — Sistema Interligado Nacional
Sistema formado pelas instalações de geração e pela malha de transmissão que interliga a maior parte do território brasileiro. Sua operação coordenada permite intercâmbio de energia entre regiões.
Sistema isolado
Sistema elétrico que não está conectado ao SIN. É mais comum em áreas remotas, especialmente na Região Norte, e pode depender de geração térmica local, fontes renováveis e sistemas de armazenamento.
Submercado
Divisão elétrica e comercial do SIN usada na formação do PLD e na contabilização. Os quatro submercados são Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.
Rede Básica
Conjunto de instalações de transmissão integrantes do SIN que atende aos critérios regulatórios de tensão e função. É o principal sistema de transporte de energia em grandes blocos entre regiões e centros de carga.
Rede de distribuição
Infraestrutura que entrega energia das subestações aos consumidores e conecta parte dos geradores. É operada pelas distribuidoras de energia em suas áreas de concessão.
Ponto de conexão
Local elétrico em que uma usina, consumidor ou instalação se conecta à rede de transmissão ou distribuição. Suas características afetam limites operativos, perdas, medição e responsabilidades contratuais.
Subestação
Instalação que realiza transformação de tensão, manobra, proteção, medição e controle do fluxo de energia. Pode atender à geração, transmissão, distribuição ou consumo.
Parecer de acesso
Documento que consolida condições e requisitos técnicos para conexão de um acessante ao sistema elétrico. Dependendo do nível de conexão, é emitido pelo ONS, pela transmissora ou pela distribuidora competente.
CUST — Contrato de Uso do Sistema de Transmissão
Contrato que disciplina o uso da rede de transmissão por um acessante, incluindo montantes contratados e responsabilidades das partes.
CUSD — Contrato de Uso do Sistema de Distribuição
Contrato que estabelece as condições para uso da rede de distribuição por consumidores ou geradores conectados ao sistema da distribuidora.
MUST — Montante de Uso do Sistema de Transmissão
Potência contratada para uso da transmissão. Diferenças entre o montante contratado e o uso verificado podem produzir consequências tarifárias ou contratuais.
MUSD — Montante de Uso do Sistema de Distribuição
Potência contratada para uso da rede de distribuição, conforme as condições estabelecidas no CUSD.
TUST — Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão
Tarifa associada ao uso das instalações de transmissão. Sua aplicação depende da categoria do usuário, do ponto de conexão e da regulamentação vigente.
TUSD — Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição
Tarifa associada ao uso da rede de distribuição. É composta por diferentes parcelas e varia conforme modalidade tarifária, nível de tensão e características do usuário.
SMF — Sistema de Medição para Faturamento
Conjunto de medidores, transformadores, sistemas de comunicação e procedimentos usados para registrar energia para fins de contabilização e faturamento.
SCDE — Sistema de Coleta de Dados de Energia
Sistema utilizado pela CCEE para receber e tratar dados de medição necessários à contabilização do mercado.
Despacho de geração
Determinação ou programação da geração de uma usina para determinado período. Usinas sujeitas ao despacho centralizado seguem instruções do ONS; outras podem operar segundo disponibilidade do recurso, contratos e regras específicas.
Curtailment
Redução da geração potencial ou disponível de uma usina por razões externas ao recurso primário. Pode decorrer de restrições elétricas, requisitos de confiabilidade, balanço entre oferta e demanda ou limitações de escoamento.
Constrained-off
Restrição de operação apurada segundo procedimentos específicos para determinadas usinas e eventos. É uma categoria regulatória mais delimitada do que o uso genérico da palavra curtailment. Eventual compensação depende do enquadramento e das regras vigentes.
ESS — Encargos de Serviços do Sistema
Encargos destinados a cobrir custos de medidas adotadas para preservar a confiabilidade e a estabilidade do sistema, como determinados despachos fora da ordem de mérito econômico.
Tipos de geração e ativos
Geração centralizada
Produção realizada por empreendimentos de maior porte conectados à transmissão ou à distribuição e destinados predominantemente à comercialização ou ao atendimento do sistema.
GD — Geração distribuída
Geração conectada próxima aos centros de consumo, normalmente na rede de distribuição. O conceito é mais amplo do que a micro e minigeração participante do sistema de compensação.
MMGD — Micro e Minigeração Distribuída
Centrais renováveis ou de cogeração qualificada conectadas à distribuição por meio de unidades consumidoras. Microgeração possui potência instalada em corrente alternada de até 75 kW. Minigeração fica acima de 75 kW e, em regra, vai até 3 MW, podendo alcançar 5 MW nas situações previstas em lei.
SCEE — Sistema de Compensação de Energia Elétrica
Sistema em que a energia excedente de uma unidade com MMGD é injetada na rede e convertida em créditos para compensação de consumo, conforme as regras e os prazos aplicáveis.
UFV — Central Geradora Fotovoltaica
Empreendimento que converte radiação solar em eletricidade por meio do efeito fotovoltaico. Na nomenclatura regulatória brasileira, UFV é a sigla usada para central fotovoltaica.
EOL — Central Geradora Eólica
Empreendimento que converte a energia cinética do vento em eletricidade por meio de aerogeradores. EOL é a sigla utilizada nos registros da ANEEL.
UHE — Usina Hidrelétrica
Empreendimento que utiliza energia hidráulica para gerar eletricidade e que não se enquadra como PCH ou CGH. Seu regime de outorga depende da potência e das características do aproveitamento.
PCH — Pequena Central Hidrelétrica
Aproveitamento hidrelétrico com potência superior a 5 MW e igual ou inferior a 30 MW e, em regra, reservatório de até 13 km², excluída a calha regular do rio.
CGH — Central Geradora Hidrelétrica
Aproveitamento hidrelétrico com potência instalada igual ou inferior a 5 MW.
UTE — Usina Termelétrica
Empreendimento que produz eletricidade a partir de energia térmica. Pode utilizar gás natural, biomassa, carvão, óleo, biogás ou outros combustíveis. Nem toda UTE participa do despacho centralizado do ONS.
Biomassa
Matéria orgânica usada como combustível energético, como bagaço de cana, resíduos florestais, biogás e resíduos agrícolas. Em geração elétrica, é normalmente utilizada em usinas termelétricas ou sistemas de cogeração.
Cogeração
Produção simultânea de eletricidade e energia térmica útil a partir de uma mesma fonte. Quando atende aos critérios regulatórios de eficiência, pode ser classificada como cogeração qualificada.
Usina híbrida
Empreendimento que combina duas ou mais fontes ou tecnologias de geração, podendo compartilhar conexão, infraestrutura e estratégias de operação. A configuração regulatória depende da estrutura do projeto.
SAE — Sistema de Armazenamento de Energia
Sistema capaz de armazenar energia para uso posterior. Pode utilizar baterias, bombeamento hidráulico, armazenamento térmico ou outras tecnologias.
BESS — Battery Energy Storage System
Sistema de armazenamento eletroquímico baseado em baterias, inversores, controles e sistemas de proteção. Pode prestar serviços de potência, arbitragem, controle de rampa, suporte à rede e integração de fontes variáveis.
Portfólio de ativos
Conjunto de empreendimentos administrados por um mesmo proprietário, investidor, operador ou gestor. A análise de portfólio consolida risco, geração, disponibilidade, contratos e resultados financeiros.
CEG — Código Único de Empreendimentos de Geração
Identificador atribuído aos empreendimentos de geração registrados na ANEEL. O código reúne informações sobre fonte, localização e empreendimento.
Operação, manutenção e dados
O&M — Operação e Manutenção
Conjunto de atividades necessárias para operar uma usina com segurança, disponibilidade e desempenho. Abrange rotinas de campo, inspeções, manutenções preventivas, corretivas e preditivas, gestão de peças e resposta a falhas.
APM — Asset Performance Management
Disciplina e categoria de sistemas voltada à gestão de desempenho, confiabilidade, risco e manutenção de ativos físicos ao longo de seu ciclo de vida.
SCADA — Supervisory Control and Data Acquisition
Sistema de supervisão, controle e aquisição de dados. Em usinas, recebe medições de equipamentos e sensores, apresenta estados operacionais e permite comandos conforme as permissões de controle.
Telemetria
Coleta e transmissão remota de medições e estados operacionais. A telemetria permite acompanhar usinas distribuídas geograficamente sem presença contínua no local.
Historiador de dados
Sistema especializado no armazenamento de séries temporais industriais. Preserva medições, eventos e estados para análise operacional, auditoria e investigação de falhas.
PLC — Controlador Lógico Programável
Computador industrial usado para executar lógicas de automação e controle de equipamentos e processos.
RTU — Unidade Terminal Remota
Equipamento que coleta sinais de campo, executa funções locais e transmite informações para sistemas supervisórios ou centros de operação.
OPC UA
Padrão de interoperabilidade para troca estruturada e segura de dados industriais entre equipamentos e sistemas de diferentes fabricantes.
Modbus
Protocolo de comunicação industrial amplamente usado em medidores, inversores, sensores e controladores. Pode operar em meios seriais ou sobre redes TCP/IP.
IEC 61850
Norma internacional para comunicação e automação em sistemas elétricos, especialmente subestações. Define modelos de dados e serviços que favorecem interoperabilidade entre dispositivos.
DNP3
Protocolo de comunicação utilizado em automação elétrica, telecontrole e integração de equipamentos remotos com centros de operação.
Disponibilidade
Proporção do tempo ou da energia potencial em que um ativo esteve apto a operar. A definição precisa deve informar se o indicador é temporal, técnico, contratual ou baseado em energia.
Downtime — Tempo de indisponibilidade
Período em que um equipamento ou sistema não está disponível para cumprir sua função. Pode decorrer de falha, manutenção, restrição externa ou intervenção programada.
Parada programada
Indisponibilidade prevista e planejada para inspeção, manutenção, melhoria ou atendimento a requisitos operacionais.
Parada forçada
Indisponibilidade não planejada provocada por falha, proteção, dano ou outra condição que exige retirada imediata ou urgente do equipamento.
MTBF — Mean Time Between Failures
Tempo médio entre falhas de um equipamento reparável. É um indicador de confiabilidade, mas deve ser interpretado junto com criticidade, modo de falha e contexto operacional.
MTTR — Mean Time to Repair
Tempo médio necessário para restaurar um equipamento após uma falha. O cálculo pode incluir diagnóstico, mobilização, reparo, testes e retorno à operação, conforme a regra adotada.
Alarme
Sinal gerado quando uma variável, estado ou condição ultrapassa critérios predefinidos. Um alarme indica necessidade de atenção, mas não identifica necessariamente a causa raiz.
Evento operacional
Ocorrência registrada com início, duração, equipamentos afetados, causa, consequência e ações tomadas. Eventos bem classificados permitem analisar recorrência e impacto.
Análise de causa raiz
Método usado para identificar os fatores que originaram uma falha ou desvio, evitando tratar apenas o sintoma observado.
Baseline — Linha de base
Referência usada para comparar o desempenho realizado com um comportamento esperado. Pode ser construída com dados históricos, modelo físico, orçamento, contrato ou modelo estatístico.
Gêmeo digital
Representação digital de um ativo ou processo que utiliza dados e modelos para reproduzir, estimar ou prever seu comportamento. O nível de fidelidade varia conforme objetivo, dados disponíveis e metodologia.
Qualidade de dados
Conjunto de características que determina se os dados são adequados ao uso pretendido. Inclui completude, consistência, precisão, frequência, rastreabilidade e sincronização temporal.
Inteligência artificial aplicada à energia
Uso de modelos computacionais para reconhecer padrões, prever geração, detectar anomalias, classificar eventos ou apoiar decisões. Resultados confiáveis dependem de dados adequados, validação e acompanhamento humano.
Indicadores de geração solar
Módulo fotovoltaico
Conjunto de células fotovoltaicas encapsuladas que converte radiação solar em eletricidade em corrente contínua.
String
Conjunto de módulos fotovoltaicos conectados em série. Várias strings podem ser agrupadas e conectadas a um inversor.
Inversor fotovoltaico
Equipamento que converte a corrente contínua produzida pelos módulos em corrente alternada compatível com a rede. Também executa funções de controle, proteção e monitoramento.
Tracker
Estrutura móvel que altera a orientação dos módulos solares ao longo do dia para aumentar a captação de radiação. Falhas de posição ou comunicação podem reduzir a geração.
Piranômetro
Instrumento usado para medir irradiância solar. Tipo, instalação, limpeza, calibração e plano do sensor influenciam a qualidade da medição.
Irradiância
Potência instantânea da radiação solar recebida por unidade de área, geralmente expressa em W/m².
Irradiação
Energia solar acumulada por unidade de área durante determinado período, geralmente expressa em Wh/m² ou kWh/m².
GHI — Global Horizontal Irradiance
Irradiância solar global recebida por uma superfície horizontal. Combina componentes direta e difusa.
DNI — Direct Normal Irradiance
Componente direta da irradiância solar medida em uma superfície perpendicular aos raios solares.
POA — Plane of Array
Irradiância incidente no plano dos módulos fotovoltaicos. É especialmente relevante para avaliar a energia efetivamente disponível ao arranjo.
PR — Performance Ratio
Indicador que compara a energia efetivamente entregue com a energia de referência derivada da irradiação no plano dos módulos e da potência instalada. Normaliza parte do efeito do recurso solar e evidencia perdas do sistema.
Relação DC/AC
Razão entre a potência nominal em corrente contínua dos módulos e a potência nominal em corrente alternada dos inversores. Influencia aproveitamento do recurso, clipping e perfil de geração.
Clipping
Limitação de potência quando a energia disponível no lado DC ultrapassa a capacidade de conversão ou entrega do inversor. Pode ser prevista no projeto ou agravada por restrições operacionais.
Soiling
Perda causada pelo acúmulo de poeira, areia, poluição, material orgânico ou outros resíduos sobre os módulos. Seu impacto depende do local, clima, inclinação, chuva e estratégia de limpeza.
Degradação fotovoltaica
Redução gradual da capacidade de geração dos módulos ao longo do tempo. Deve ser diferenciada de falhas, sujeira, sombreamento e mudanças de medição.
MWp — Megawatt-pico
Unidade usada para expressar potência nominal de módulos fotovoltaicos em condições padronizadas de ensaio. Não representa a energia efetivamente produzida durante uma hora.
Indicadores de geração eólica
Aerogerador
Equipamento que converte energia cinética do vento em eletricidade. É composto por rotor, pás, nacele, torre, sistemas elétricos, controle e fundação.
Anemômetro
Sensor usado para medir velocidade do vento. Pode estar instalado em torres meteorológicas ou no próprio aerogerador.
Torre anemométrica
Estrutura equipada com sensores meteorológicos para medir vento, direção, temperatura, pressão e outras variáveis utilizadas na avaliação do recurso eólico.
LiDAR
Tecnologia de sensoriamento remoto que utiliza laser para medir características do vento em diferentes alturas e distâncias.
Curva de potência
Relação entre velocidade do vento e potência produzida por um aerogerador em condições definidas. A comparação com a curva esperada ajuda a identificar desvios de desempenho.
Efeito esteira — Wake effect
Redução da velocidade e aumento da turbulência do vento atrás de um aerogerador. Pode diminuir a produção e aumentar cargas em máquinas posicionadas a jusante.
Yaw
Sistema que orienta a nacele para alinhar o rotor com a direção do vento. Erros de yaw reduzem a captura de energia e podem aumentar esforços estruturais.
Pitch
Controle do ângulo das pás. É usado para otimizar potência, limitar cargas e proteger o aerogerador em diferentes condições de vento.
Cut-in
Velocidade mínima de vento a partir da qual o aerogerador começa a produzir energia.
Velocidade nominal
Velocidade de vento na qual o aerogerador atinge sua potência nominal, segundo a curva de potência.
Cut-out
Velocidade de vento acima da qual o aerogerador interrompe a geração para proteger seus componentes.
Métricas de energia e desempenho
Potência
Taxa instantânea de produção, transferência ou consumo de energia. No setor elétrico, é normalmente expressa em W, kW, MW ou GW.
Energia
Quantidade produzida ou consumida ao longo de um período. É normalmente expressa em Wh, kWh, MWh ou GWh.
MW — Megawatt
Unidade de potência equivalente a um milhão de watts.
MWh — Megawatt-hora
Unidade de energia. Corresponde, por exemplo, à energia produzida por uma potência constante de 1 MW durante uma hora.
MW médio — MWmed
Forma de expressar energia média ao longo de um período. Um MW médio durante um ano equivale à energia de 1 MW produzido continuamente durante todas as horas desse ano.
Fator de capacidade
Relação entre a energia gerada em determinado período e a energia que seria produzida se a usina operasse continuamente em sua potência de referência durante todo o período.
Geração esperada
Energia estimada para determinado período com base em recurso, disponibilidade, perdas, configuração do ativo e premissas de modelo.
Geração realizada
Energia efetivamente medida e contabilizada durante determinado período.
Desvio de geração
Diferença entre geração realizada e uma referência, como orçamento, previsão, contrato ou geração esperada. A interpretação depende da referência escolhida.
P50
Estimativa de produção com 50% de probabilidade de ser atingida ou superada segundo as premissas do estudo. É frequentemente usada como cenário central, mas não representa garantia de geração.
P90
Estimativa de produção com 90% de probabilidade de ser atingida ou superada segundo as premissas do estudo. É normalmente inferior ao P50 e usada em avaliações mais conservadoras de risco.
Perda técnica
Energia não convertida ou não entregue devido a características físicas e técnicas do sistema, como perdas elétricas, térmicas, aerodinâmicas ou de conversão.
Perda por indisponibilidade
Energia potencial não gerada porque um equipamento ou sistema esteve indisponível.
Perda de rede
Energia dissipada no transporte e na transformação entre o ponto de geração, medição e entrega. Não deve ser confundida com curtailment.
Taxonomia de perdas
Estrutura padronizada para classificar perdas por causa, equipamento, responsabilidade, controlabilidade e impacto. Uma taxonomia consistente evita dupla contagem e melhora comparações.
Finanças e viabilidade de projetos
CAPEX — Capital Expenditure
Investimento realizado para desenvolver, construir, adquirir ou ampliar um ativo. Em geração, pode incluir equipamentos, obras civis, conexão, engenharia, terrenos e desenvolvimento.
OPEX — Operational Expenditure
Despesas recorrentes de operação do ativo, como manutenção, pessoal, seguros, arrendamento, monitoramento, taxas e serviços contratados.
Receita de energia
Receita resultante da comercialização de energia. Seu cálculo pode envolver volume contratado, energia medida, preço, indexação, perfil de entrega, perdas, exposição ao MCP, impostos e demais condições contratuais.
EBITDA
Resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. É uma medida financeira amplamente usada para avaliar desempenho operacional, mas não representa geração de caixa disponível para pagamento da dívida.
Fluxo de caixa
Entradas e saídas financeiras de um projeto ou empresa ao longo do tempo. Em projetos de energia, inclui investimento, receita, custos operacionais, tributos, dívida e distribuições aos acionistas.
VPL — Valor Presente Líquido
Valor presente dos fluxos de caixa futuros descontados por uma taxa de referência, menos o investimento inicial. Um VPL positivo indica criação de valor segundo as premissas adotadas.
TIR — Taxa Interna de Retorno
Taxa de desconto que faz o VPL de um fluxo de caixa ser igual a zero. Deve ser analisada junto com risco, prazo, estrutura de capital e premissas do projeto.
ROI — Return on Investment
Indicador que relaciona ganho ou benefício ao investimento realizado. A fórmula e o período analisado devem ser explicitados para permitir comparação.
Payback
Tempo necessário para que os fluxos de caixa acumulados recuperem o investimento inicial. Pode ser simples ou descontado e não substitui métricas como VPL e TIR.
Project finance
Estrutura de financiamento em que a capacidade de pagamento depende principalmente dos fluxos de caixa e dos ativos do próprio projeto.
SPE — Sociedade de Propósito Específico
Empresa criada para desenvolver e operar um projeto ou conjunto definido de ativos, separando contratos, riscos e fluxos financeiros de outros negócios dos acionistas.
CFADS — Cash Flow Available for Debt Service
Fluxo de caixa disponível para pagamento do serviço da dívida após os ajustes definidos nos documentos financeiros do projeto.
DSCR — Debt Service Coverage Ratio
Índice que compara o CFADS com os pagamentos de principal e juros da dívida no período. É usado para avaliar a capacidade de pagamento do projeto.
Covenant
Obrigação financeira, operacional ou jurídica prevista em contrato de financiamento. O descumprimento pode exigir medidas corretivas ou produzir consequências contratuais.
Indexação contratual
Regra de atualização de preços ou valores contratuais por índice, moeda ou fórmula. A escolha do indexador influencia receita, custos e risco ao longo do contrato.
Hedge
Estratégia destinada a reduzir exposição a variações de preço, volume, moeda, juros ou outros fatores de risco. Pode envolver contratos físicos, financeiros ou combinação de instrumentos.
Sustentabilidade e atributos ambientais
I-REC — International Renewable Energy Certificate
Certificado associado ao atributo renovável de uma quantidade de eletricidade gerada e verificada segundo as regras do sistema de certificação aplicável. Não deve ser confundido com crédito de carbono.
Crédito de carbono
Unidade que representa redução, remoção ou prevenção de emissões de gases de efeito estufa segundo uma metodologia e um padrão específicos. Sua existência não decorre automaticamente da geração renovável.
Inventário de emissões
Levantamento das emissões de gases de efeito estufa de uma organização, projeto ou atividade dentro de limites e metodologias definidos.
LP — Licença Prévia
Licença ambiental concedida na fase de planejamento, quando são avaliadas localização, concepção e viabilidade ambiental do empreendimento.
LI — Licença de Instalação
Licença que autoriza a implantação do empreendimento conforme projetos, programas e condicionantes ambientais aprovados.
LO — Licença de Operação
Licença que autoriza o funcionamento do empreendimento após a verificação do cumprimento das exigências aplicáveis à implantação e à operação.
Fontes oficiais para aprofundamento
- ANEEL — atribuições e competências
- ANEEL — geração e outorgas
- ANEEL — micro e minigeração distribuída
- ANEEL — leilões
- CCEE — Glossário da Energia
- CCEE — dados abertos
- ONS — o que é o ONS
- ONS — informações sobre curtailment
- MME — funcionamento e abertura do mercado livre
- EPE — publicações e estudos
- Ibama — licenciamento ambiental federal